Novos casos de dengue põem Campinas em alerta


Apesar de estar sob controle nos dois últimos anos, o fantasma da dengue continua a assustar as autoridades sanitárias de Campinas. Depois de três meses sem notificação da doença, no final do ano passado, a Secretaria de Saúde voltou a registrar casos autóctones e importados.


Entre o final de novembro e início de dezembro, foram confirmados quatro casos contraídos no município e oito em outras cidades. Este ano, não há ainda notificação de casos autóctones, mas há suspeitos aguardando resultado de sorologia.


Também foi confirmado um caso importado de dengue hemorrágica. Trata-se de um homem, morador do bairro Santa Lúcia, na região Sudoeste, que contraiu a doença em uma viagem à área de divisa entre Bahia e Minas Gerais. Ele chegou em Campinas doente, esteve internado e agora passa bem.


Para a coordenadora de Controle da Dengue da Secretaria da Saúde de Campinas, Andréa von Zuben, a situação é “assustadora”. 'Estamos começando um novo ciclo epidêmico. E a situação da cidade, um polo industrial, com aeroporto internacional e muita circulação de pessoas, facilita a cadeia de transmissão”, diz ela, lembrando que o Levantamento Rápido sobre Índices de Infestação por Aedes Aegypti (LIRAa) apontou a maior incidência desde 2001, 1,05, o que comprova que é grande a infestação do mosquito vetor.


A coordenadora explica que a epidemia pode voltar a ocorrer a partir dos casos importados, já que a transmissão ocorre num período de um dia antes e seis dias depois do início dos sintomas. “Como temos muito mosquito vetor, a chegada de uma pessoa doente pode gerar uma cadeia de transmissão autóctone”, explica.


Segundo Andréa, o impacto na transmissão depende das condições ambientais. Quanto mais criadouros, vetores e aglomerado populacional, maiores as chances de proliferação. No caso do morador do Santa Lúcia, não existe essa preocupação porque ele passou o período de transmissão internado.


“É impossível pensar num Verão sem dengue em Campinas. Mas o índice alto de infestação, e o Outono e Verão atípicos, como muita chuva e calor, tornam as condições ainda mais propícias a uma explosão de casos”, alerta. Segundo Andréa, apesar da campanha preventiva e orientação contínuas, a maioria dos criadouros continua concentrada nas residências, em pratos de vasos, bromélias, lajes, calhas e outros objetos que acumulam água da chuva.


Hemorrágica


A coordenadora ressalta ainda que a situação endêmica de Campinas, que tem epidemias de dengue desde 1998, com milhares de vítimas, favorece o surgimento de casos graves, mais comuns quando ocorre a reincidência da doença. “Como muitos campineiros já contraíram dengue ao longo desses anos, são grandes as possibilidades de casos graves da doença.”

About Unknown

0 comentários:

Postar um comentário

Tecnologia do Blogger.